NÓS QUEREMOS O NOSSO FLAMENGO DE VOLTA!


Este é um protesto para que os jogadores e diretoria entendam que nós queremos o nosso time vibrando, lutando, correndo, mostrando raça e dedicação, não este bando que temos hoje.

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Crônica de uma noite surreal ou Flamengo, o Avesso do Avesso.

Segunda, 16 de abril de 2012 por Vivi Mariano | tag Libertadores, Raça, Amor, Paixão Rubro-negra

Quinta-feira. 12 de abril de Dois Mil e Doze. O dia dura uma eternidade quando o Flamengo joga uma decisão. As coisas passam a não ter sentido nenhum. Tudo gira em torno do Mais Querido do Brasil. Fecho os olhos e imagino o estádio lotado. Os gols que sairão. Os abraços desconhecidos que receberei. A bola que insiste em não entrar. O grito de gol e a cartase rubro-negra. Nesse dia não foi diferente. Eu tinha prometido doar meu ingresso para o meu irmão. Mas, me arrependi minutos depois, claro. Não se dá um ingresso de uma "decisão" impunemente. E ele conseguiu o dele. Ufa. Almoçamos juntos no Centro do Rio. Preciso de amor rubro-negro quando o Flamengo vai para "guerra". E o tempo não passava. Eu sabia que algo de muito rubro-negro estava por vir. E olha que não acreditava na classificação, as chances eram mínimas. Mas, meu coração insistia pelo contrário. Chegou a hora. Termino o último texto, me despeço da equipe de trabalho, e visto o manto sagrado: pronta para o Flamengo. A partir daquele momento, revestida de força rubro-negra com doses cavalares de raça, amor e paixão...atravesso o Centro do Rio, na hora do rush... com a camisa do Flamengo. Olhares incrédulos de engravatados e atravessados das patricinhas de salto e terninho. Não me abalo. Sigo até o metrô. No caminho, um comentário ousado: "Ei, essa a camisa aí JÁ ERA". Como assim? Paro, olho bem para o [tamanho] negão e respondo: VEREMOS. A Rubro-Negra não tem medo de morrer, olê lê lê, o lá lá.

No metrô sigo sufocada até a Central do Brasil. No meio do caos, uma mulher me pergunta: "Tem jogo é? Por isso o metrô tá lotado assim (sic). Vocês não poderiam ver o jogo em casa?" Pensei: "Perdoai Senhor, ela não sabe o que fala".  E deixo a infeliz sem resposta. Em seguida,  começo a reconhecer os meus. "Viviiiiiiiiiiiiiiiiii!" "É hoje!" "Vamos Pra Cima." Estava em casa, dentro do trem diretão para Santa Cruz. Mas, a eternidade durou até que o juiz apitasse o início do jogo. Fazia tempo que não via a torcida assim: com cara de torcida do Flamengo. 'Sozinha' na arquibancada tenho alguns minutos para refletir sobre o fenômeno FLAMENGO: Paixão sem Limites. Penso nas pessoas especiais que eu gostaria que estivessem ali comigo. Penso no meu amor. No meu pai que já se foi. No irmão que teve uma febre inexplicável a poucas horas antes do jogo [Flamenguice Aguda]. E rola a bola. No intervalo, ainda com a esperança a mil, reencontro amigos que reforçam o que eu penso: estar ali naquela noite era - acima de tudo e todos - prova de amor incondicional. O resto todo mundo já sabe. Mais uma lição de incompetência, falta de planejamento, prioridades e administração a altura do Flamengo.

Com o fim da partida do Flamengo escuto no rádio os gols que nos classificariam, ou não. Segurando o bendito xixi até aquela hora, corro para o banheiro. Chego no corredor e os caras empatam: MEU DEUS! Fico tonta. Tenho taquicardia. Minhas pernas tremem. De repente olho ao redor e vejo pessoas se jogando no CHÃO!!! Gente ajoelhada!!! Desconhecidos se abrançando como se fossem amigos de uma vida inteira. Fico parada incrédula para não quebrar a corrente e mudar a ordem das coisas até que TCHUM... levo um empurrão de um torcedor que voltou correndo para a arquibancada. Um pé da minha sapatilha vermelha some no meio daquele caos. Pensei: "Foda-se, volto pra casa descalça e digo que foi promessa pro Fla se classificar". Felizmente reencontro a sapatilha a uns 3 metros longe de onde estou [preferia tê-la perdido e voltado descalça por motivos óbvios]. Faço o xixi e volto correndo para arquibancada a espera do fim do jogo deles, não queria perder o apito final de lá. A torcida em êxtase...até que o rádio informa o desempate, e consequentemente a desclassificação. Meu Mundo Caiu. Na hora um pensamento surreal: o que Nelson Rodrigues, Mario Filho, Armando Nogueira escreveriam sobre aquela noite? Aquele silêncio? Aquela torcida? O Flamengo é o Avesso do Avesso. De uma hora para outra, desclassificada, triste, derrotada...tenho vontade de abraçar um por um. Torcedor por torcedor. E dizer o que não precisa ser dito: Eu AMO ser Flamengo. Passaria por tudo aquilo de novo. Não por escolha, mas, por ter sido escolhida. Sou Flamengo. Sou do Flamengo. Nasci para o Flamengo.

Magia Neles!
EQUIPE Magia Rubro Negra
vivi@magiarubronegra.com.br
Twitter: @vivi_mariano



3 comentários - Clique aqui e comente


Renato Croce (Alexi Lalas) - 17/04/2012 11:24:35
Este jogo do Mengo terminou como um balde de água fria, mas saí com a certeza do título, calmo e realizado. Na rodada seguinte, o Goiás nos deu a alegria de ganhar dos Bambis em casa e nós demos aquela sapatada nos Gambás. Daí era só correr pro abraço.
Renato Croce (Alexi Lalas) - 17/04/2012 11:24:18
"Tenho vontade de abraçar um por um. Torcedor por torcedor. E dizer o que não precisa ser dito: Eu AMO ser Flamengo. Passaria por tudo aquilo de novo. Não por escolha, mas, por ter sido escolhida. Sou Flamengo. Sou do Flamengo. Nasci para o Flamengo".

A Vivi é sensacional. Li cada linha sentindo a falta de não ter ido neste jogo, mas sabendo que ele não estaria sozinho. E essa MAGIA RUBRO-NEGRA que este clube nos proporciona é inexplicável e gostosa demais. Li seu post me imaginando no dia do Maior Mosaico do Mundo, quando coloquei as plaquinhas no setor verde do Maraca com lágrimas nos olhos ao saber que o Botafogo estava ganhando do São Paulo no Engenhão.

José Maria Amorim - @zamorim - 16/04/2012 15:14:48
Vivi,
estou sem palavras para te agradecer pelo texto, vc disse tudo o que "todo" Flamenguista sentiu naquela noite. Parabéns!!! Flamengo sempre !!!

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